segunda-feira, 29 de junho de 2015

Roberto Burle Marx


Roberto Burle Marx (São Paulo, 4 de agosto de 1909 — Rio de Janeiro, 4 de junho de 1994) foi um artista plástico brasileiro, renomado internacionalmente ao exercer a profissão de arquiteto-paisagista. Morou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro, onde estão localizados seus principais trabalhos, embora sua obra possa ser encontrada ao redor de todo o mundo. Seu primeiro projeto de jardim público foi a Praça de Casa Forte, localizada no Recife, cidade natal de sua mãe.
Era o quarto filho da recifense Cecília Burle, membro da tradicional família pernambucana de ascendência francesa Burle Dubeux, e de Wilhelm Marx, judeu alemão nascido em Estugarda e criado em Tréveris (cidade natal de Karl Marx, primo de seu avô). 
A mãe, exímia pianista e cantora, despertou nos filhos o amor pela música e pelas plantas. Roberto a acompanhava, desde muito pequeno, nos cuidados diários com as rosas, begônias, antúrios, gladíolos, tinhorões e muitas outras espécies que plantava no seu jardim. Com a ama Ana Piascek aprendeu a preparar os canteiros e a observar a germinação das sementes do jardim e da horta. 
O pai era um homem culto, amante da música erudita e da literatura europeia, preocupado com a educação dos filhos, aos quais ensinou alemão, embora se dedicasse aos negócios, como comerciante de couros, num curtume que mantinha em São Paulo.

Mudança para o Rio de Janeiro

Quando os negócios começaram a ir mal em São Paulo, seu pai resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro em 1913. A família viveu um tempo em casa de familiares e, quando a nova empresa de exportação e importação de couros de Wilhelm Marx começou a ter resultados positivos, finalmente se mudaram para um casarão no Leme. Nesse casarão, Burle Marx, então com 8 anos, começou a sua própria coleção de plantas e a cultivar suas mudas.

Período na Alemanha

Aos 19 anos, Burle Marx teve um problema nos olhos e a família se mudou para Alemanha em busca de tratamento. Permaneceram na Alemanha de 1928 a 1929, onde Burle Marx entrou em contato com as vanguardas artísticas. Lá conheceu um Jardim Botânico com uma estufa mantendo vegetação brasileira, pela qual ficou fascinado. 
As diversas exposições que visitou e, dentre as mais importantes, a de Pablo Picasso, Henri Matisse, Paul Klee e Vincent van Gogh, lhe causaram grande impressão, levando-o à decisão de estudar pintura.

Formação acadêmica em Artes Plásticas (Belas Artes)

Durante a estada na Alemanha, Burle Marx estudou pintura no ateliê de Degner Klemn. De volta ao Rio de Janeiro, em 1930, Lúcio Costa, que era seu amigo e vizinho do Leme, o incentivou a ingressar na Escola Nacional de Belas Artes, atual Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Burle Marx conviveu na universidade com aqueles que se tornariam reconhecidos na arquitetura moderna brasileira: Oscar Niemeyer, Hélio Uchôa e Milton Roberto, entre outros.

Início do paisagismo no Recife

Praça do Entroncamento, uma das praças recifenses projetadas por Burle Marx.

O primeiro projeto de jardim público idealizado por Burle Marx foi a Praça de Casa Forte, no Recife, em 1934. Nesse mesmo ano assumiu o cargo de Diretor de Parques e Jardins do Departamento de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco, onde ainda lidava com um trabalho de inspiração levemente eclética, projetando mais de 10 praças. Nesse cargo, fez uso intenso da vegetação nativa nacional e começou a ganhar renome, sendo convidado a projetar os jardins do Edifício Gustavo Capanema (então Ministério da Educação e da Saúde). Em 1935, ao projetar a Praça Euclides da Cunha (a Praça do Internacional, conhecida também como Cactário Madalena) ornamentada com plantas da caatinga e do sertão nordestino, buscou livrar os jardins do "cunho europeu", semeando a alma brasileira e divulgando o "senso de brasilidade". Seu grupo do movimento arquitetônico modernista (junto com Luís Nunes, da Diretoria de Arquitetura e Construção, e Attílio Correa Lima, responsável pelo Plano Urbanístico da cidade), ganhou opositores como Mário Melo e simpatizantes como Gilberto Freyre, Joaquim Cardozo e Cícero Dias, com os quais sempre se reunia. Em 1937 criou o primeiro Parque Ecológico do Recife.

Ruptura e modernidade

Sua participação na definição da Arquitetura Moderna Brasileira foi fundamental, tendo atuado nas equipes responsáveis por diversos projetos célebres. O terraço-jardim que projetou para o Edifício Gustavo Capanema é considerado um marco de ruptura no paisagismo brasileiro. Definido por vegetação nativa e formas sinuosas, o jardim (com espaços contemplativos e de estar) possuía uma configuração inédita no país e no mundo. 
A partir daí, Burle Marx passou a trabalhar com uma linguagem bastante orgânica e evolutiva, identificando-a muito com vanguardas artísticas como a arte abstrata, o concretismo, o construtivismo, entre outras. As plantas baixas de seus projetos lembram em muitas vezes telas abstratas, nas quais os espaços criados privilegiam a formação de recantos e caminhos através dos elementos de vegetação nativa.


Por ser um artista plástico suas obras de paisagismo são sempre uma obra de arte misturava forma e cor, muitos autores são incisivos ao indicar Roberto Burle Marx como definidor de uma estética moderna de paisagem, incorporando o espírito da pesquisa plástica às soluções dos jardins. Colocam suas produções como descobertas de uma nova forma de arte, uma linguagem moderna, harmonizando valores geométricos e de ordem com os valores instáveis da natureza.


Conhecido por sua preocupação ambiental e pela preocupação com a preservação da flora brasileira, Roberto inovou ao usar plantas nativas do Brasil em suas criações e isso se tornou sua característica marcante. Afinal, foi ele quem valorizou as bromélias, por exemplo, e as tornou populares. Hoje, plantas naturais da Mata Atlântica se tornaram conhecidas e são cultivadas em viveiros para serem vendidas. Por esse motivo, o "estilo Burle Marx" tornou-se sinônimo do paisagismo brasileiro no mundo.
Seu primeiro projeto paisagístico foi o jardim de uma casa desenhada pelos arquitetos Lucio Costa (que projetou Brasília) e Gregory Warchavchik, em 1932. A partir de então ele não parou mais de projetar paisagens.
A partir dos jardins de Burle Marx, a arquitetura moderna encontrou um cenário apropriado e harmônico, seus jardins com linhas mais livres e orgânicas, que aparentemente se aproximam da sinuosidade da natureza, são na verdade, curvas geometrizadas, construídas, próprias da ação do homem moderno no mundo. 
Como estratégia de estruturação dos jardins modernos, Burle Marx utiliza diversas cores extrapolando o limite da aplicação de variações de tons de verde. Gera assim uma animação das superfícies coloridas onde os aspectos visuais são potencializados em função de contrastes de texturas e cores resultantes. Além disso, faz com que coexistam formas rígidas - como as estruturas de tabuleiro - com traçados fluidos de cor. Nas próprias combinações retilíneas, Burle Marx flexibiliza a geometria através da vibração dos planos com o intercalar de tons, volumes, dimensões bidimensionais e tridimensionais. 
As flores são plantadas em cores e massas uniformes. Essas moitas de cor forte, de formas livres, são como que extraídas de um pano de padrão moderno e colocadas sobre a grama.


Burle Marx inaugurava assim, uma nova relação entre a arquitetura e paisagem. Dessa maneira, afirmava uma nova síntese entre natureza e cidade, numa constante tensão entre as características da paisagem local e o pensamento abstrato moderno. 
Seus jardins têm a capacidade de complementar, potencializar, integrar ou até mesmo afrontar tanto a arquitetura quanto o ambiente nos quais estão inseridos. Essa manipulação variada, em suas obras, gera uma tensão constante entre estes elementos, fazendo com que o jardim, por si só, adquira um movimento próprio. 
Rompeu com a submissão ao modelo europeu de maneira de compor jardins; e deu uma contribuição inquestionável na definição do jardim moderno. É um artista plástico brasileiro com mais de 3000 projetos de paisagismo, em 20 países. 
Na América Latina, certamente os profissionais venezuelanos são os que mais receberam a influência burle-marxiana, foram 33 jardins venezuelanos sendo 14 residências, projetos em 5 anos, o que pode ter sido motivado pelo rescaldo dos projetos desenvolvidos por ele no país vizinho entre as décadas de 1950 e 1960. 
Nos anos 1950, momento aonde se dá um fenômeno de crescimento urbano em Caracas. Neste momento se cria o Parque del Este, mas com uma expressão nova, moderna e única, que expressa a poesia do trópico, e representa a paisagem nativa venezuelana. 
Só existem dois na escala do Parque del Este: o Parque do Flamengo (2) e o Parque del com área cerca de 100 hectares, na malha urbana de Caracas, foi divido em várias sessões, com uma coleção de plantas de clima seco, com 130 espécies onde importaram de Asia, Africa e Caribe. Como sempre fazia com seus projetos usava um Botânico de apoio a sua ideias, sempre usando uma vegetação apropriada ao clima.


Quando se fala em espelho d’água , burle max retrocedia aos jardins renascentistas italianos, onde buscava inspirações para suas composições. 
Assim, o arquiteto-paisagista Roberto Burle Marx (1994–1909) cumprirá, na evolução da arquitetura moderna brasileira, um papel de primeira grandeza, não só pelo seu reconhecido talento pessoal, que resultou numa obra inovadora, mas também pela função chave que desempenhará na legitimação dos exemplares arquitetônicos como verdadeiros espécimes brasileiros. Ao longo de sua extensa vida profissional – onde teve a oportunidade única de formar dupla com Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Rino Levi, Vilanova Artigas e outras estrelas de primeira e segunda grandeza de nossa arquitetura – Roberto Burle Marx percorreu caminhos variados, fez experiências diversas, mas sempre mantendo um valor originário – a de que o jardim é um artifício que deve reintegrar o homem à sua paisagem natural. 
O diretor do Paço Imperial e arquiteto Lauro Cavalcanti considera Burle Marx foi o maior paisagista do século 20. E explica por quê: “Antes, não havia a especificidade do jardim moderno, não havia campos de cor de desenhos que reproduzem a estética da pintura moderna”. O detalhamento dos projetos era, por si só, uma obra de arte. Além disso, Burle Marx “tirou do limbo as espécies nativas que até então eram consideradas só mato. Ninguém pensava em usá-las em jardins”.

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