terça-feira, 29 de novembro de 2016

Cantinho do céu (SP) - Arquiteto Marcos Boldarini

Urbanização do Complexo Cantinho do Céu

São diversas as conformações que compõem o espaço urbano da cidade de São Paulo e são inúmeros os desafios a serem superados para dotar determinadas áreas de qualidade e infraestrutura urbana. 
As formas de intervir na cidade e, especificamente, em assentamentos precários consolidados, pressupõe a adoção de alternativas de projeto que considerem as preexistências territoriais, em suas potencialidades e limitações.


Dentro desta perspectiva, a partir daquilo que já foi previamente concebido no contexto socioespacial, vê-se de forma clara a transição que vivemos hoje no campo do urbanismo, em que a racionalização das formas e funções do movimento moderno e a ruptura com a cidade existente não encontram mais espaço na atuação profissional.
Ao propor a urbanização de um assentamento precário objetiva-se integrá-lo a cidade oficial, dotá-lo da infraestrutura urbana necessária, qualificá-lo como ambiente construído que permita o desenvolvimento do indivíduo em sociedade, porém sem necessariamente reproduzir o padrão formal dos bairros implantados conforme a normativa urbanística.
Pensar e intervir nessas áreas, numa cidade como São Paulo na atualidade, é considerar, além das questões próprias de cada assentamento, as possibilidades de mobilidade daquela população com o restante da cidade.



Diante do desafio de intervir nessa área objeto de ação civil pública, consolidada, densamente ocupada, ambientalmente frágil e de grandes dimensões territoriais com acesso direto à represa Billings, novas experimentações projetuais foram necessárias, tendo como desafio superar os problemas pela ocupação irregular e precária numa área de proteção ambiental e, principalmente, a ocupação inadequada às margens da represa, que tinha como agravante a ausência de saneamento básico. 
Na elaboração do projeto de urbanização tratamos de formular hipóteses de intervenção que visaram suprir o conjunto de déficits de infraestrutura, qualificar e integrar o assentamento à cidade, conjugando as diversas disciplinas envolvidas, as questões fundiárias e de pós-ocupação, bem como a forma de organização de sua população.









Esta valorização do espaço público, entendido aqui como o conjunto de elementos capazes de dar suporte as mais diversas manifestações coletivas cotidianas – ruas, vielas, praças, parques – procura resgatar o sentimento de pertencimento à cidade como condição básica para o desenvolvimento das gerações futuras. 
A intervenção no Cantinho do Céu vem sendo trabalhada, portanto, a partir da compreensão da importância de qualificação desse assentamento em virtude da sua escala e localização em área ambientalmente estratégica para a cidade de São Paulo.

O projeto de urbanização para os loteamentos irregulares Residencial dos Lagos, Cantinho do Céu e Gaivotas, aqui chamado apenas como Cantinho do Céu, considerou, além dos documentos, vistorias e aproximação do lugar, um conjunto de estratégias relacionadas a: 
- Preservação da vida, mediante a correção de todas as situações de risco identificadas. 
- Integração urbanística entre as novas intervenções e o tecido existente, respeitada a autonomia tipológica decorrente as diferentes condições em que se produziram as unidades existentes. 
- Complementação e adequação da infraestrutura urbana, com melhorias sanitárias, ambientais e de mobilidade em todo o assentamento. 
- Universalização do acesso à infraestrutura e aos serviços urbanos e provisão adequada de equipamentos comunitários e áreas de lazer e esportes. 
- Adequação urbanístico-ambiental do assentamento e das novas intervenções ao bairro como um todo. 
- Geração de condições necessárias para a regularização fundiária do parcelamento do solo.

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